1- O que é educação?

A palavra educação corresponde tanto ao processo de educar quanto ao resultado desse processo. Ou seja, educação é um constante ir e vir, fazer e refazer, elaborar e reelaborar, construir e reconstruir diante de novos conhecimentos, novas possibilidades de aprendizagem. Aqui estão presentes diferentes agentes (o aprendente, o educador, o ambiente, os recursos utilizados, dentre outros) que participam no processo contribuindo, de forma positiva ou não, nos resultados.

As diversas ciências que inferem o seu olhar sobre o fenômeno Educação (p. ex.: Sociologia, Antropologia, Psicologia, História, Economia …) vão analisá-la a partir de seus próprios conceitos o que resulta em diferentes definições do que chamamos aqui Educação. Isso tem um grande valor para o campo educacional. Entretanto, para efeito de nosso estudo aqui, vou apresentar o significado etimológico da palavra para, então, relacioná-lo com a prática educacional.

Educação provém de dois vocábulos latinos: Educare e educere. Educare tem o significado de orientar, nutrir, decidir num sentido externo, levando o indivíduo de um ponto onde ele está a um que se deseja chegar. Educere refere-se a promover o surgimento de dentro para fora das potencialidades que o indivíduo possui (GRINSPUM, 1999). Tomando como base, estes dois sentidos, o espaço da educação é na verdade amplo e complexo. Orientar e conduzir o indivíduo de um ponto a outro promovendo ao mesmo tempo o surgimento e/ou desenvolvimento de potencialidades até então desconhecidas, sufocadas ou reprimidas, requer de todo educador, consciente de sua função, uma constante releitura de sua própria função, de seu pensar e fazer, a fim de que estes tornem-se espaços e instrumentos de um conhecer que não é só do educando, mas também do próprio educador. Todo aquele que pretende pensar e fazer educação a partir destes sentidos – educare e educere, descobre-se imerso e tomado de uma teoria-prática não apenas transmissora de informações, mas, acima de tudo, uma teoria-prática que: reflete criticamente e constantemente o seu papel e função; respeita os limites e possibilidades de cada educando; se aventura na construção de um saber de forma criadora e inovadora; compreende o significado e sentido da liberdade e da autoridade bem como o espaço do diálogo na construção do saber.

A educação acompanha o indivíduo por toda sua vida, pois sua aprendizagem é constante e, portanto, sempre está se educando. O processo educativo proporciona ao indivíduo o instrumental físico, intelectual, emocional e social de que precisa para tornar-se um ser social, um ser humano. LIBÂNEO afirma que educação “… é o conjunto das ações, processos, influências, estruturas, que intervêm no desenvolvimento humano de indivíduos e grupos na sua relação ativa com o meio natural e social, num determinado contexto de relações entre grupos e classes sociais”. (1999, p.22)

O espaço do educativo é muito amplo e complexo, pois, a educação acontece em diferentes momentos e espaços, tais como a família, rua, trabalho, igreja, meios de comunicação, política. Desta forma, distinguimos diferentes modalidades de prática educativa: educação informal, não-formal e formal. A educação informal diz respeito a ações e influências que o indivíduo ou grupo sofre advindos de seu meio ambiente (físico, social, cultural …) das quais resultam experiências, práticas, porém não foram exercidas de forma intencional ou organizada. A educação não-formal é aquela realizada com certo grau de sistematização, desenvolvida em instituições educativas, porém fora dos limites institucionais. A educação formal compreende espaços de formação, escolares ou não; caracteriza-se por ter objetivos educativos claros e ações intencionais institucionalizada e sistematizada. “Há uma interpenetração constante entre essas três modalidades que, embora distintas, não podem ser consideradas isoladamente. Se há muitas práticas educativas, em muitos lugares e sob variadas modalidades, há, por consequência, várias pedagogias: a pedagogia familiar, a pedagogia sindical, a pedagogia dos meios de comunicação etc., e a pedagogia escolar.” (LIBÂNEO, 1999, p.23-24)

A partir dessas declarações há de se considerar o ato educativo além de uma prática individual, uma prática social. As ações dentro do espaço eclesiástico, que se apresentam de forma intencional e organizada visando mudanças, transformações individuais e coletivas, são ações educativas. Essas requerem um olhar que saiba articular o teórico e o prático a fim de conduzir todo o processo educacional de forma consciente e pedagógica.

2- O que é pedagogia?

A palavra pedagogia nos remete a História Antiga quando escravos, entre os gregos, conduziam as crianças ao local de ensino. Em geral, sendo pessoas mais inteligentes que seus próprios senhores, estes escravos eram verdadeiros professores. Isto fica claro quando da conquista da Grécia por Roma, pois, os romanos confiavam a educação de seus filhos aos gregos (agora escravos), reconhecendo assim a superioridade cultural destes. O pedagogo vai convertendo-se desta forma no formador de homens. (SAVIANI, p.27,28)

Na evolução de seu campo científico e espaço histórico a Pedagogia é reconhecida hoje como teoria e prática da educação. Prática que por natureza é pluridimensional. Ciência da e para a educação. Para o pedagogo francês HOUSSAYNE (citado por Libâneo) a pedagogia busca ligar a teoria e a prática a partir de sua própria ação. É, portanto, neste espaço de articulação da teoria-prática que a Pedagogia “tem sua origem, se cria, se inventa e se renova” (1999, p.22)

Vivemos num mundo de grandes transformações e múltiplas diversidades. O indivíduo como ser coletivo, pessoal e singular sente o reflexo dessas transformações em todas as dimensões de sua vida biopsicossocial. Este, portanto, necessita adquirir novas posturas para transitar e interagir com essas situações. A educação precisa ser compreendida como um fenômeno plurifacetado que ocorre em diversos espaços, institucionalizados ou não. Nossa sociedade é hoje chamada de sociedade do conhecimento. A necessidade de propagar e internalizar diferentes saberes exige ações conscientes do fazer pedagógico1, dentro ou não de espaços institucionalizados e próprios do saber sistematizado. MAZZILLI, citando as palavras de Florestan Fernandes, afirma que é necessária uma compreensão mais clara das possibilidades concretas da educação de “conjugar a consciência pedagógica dos problemas da sociedade a uma nova forma de ação prática.” A ação pedagógica deverá reformular-se a fim de transformar possibilidade em realidade, pois é a prática em última instância, o critério de avaliação do discurso transformador. (1992, p.49, 51)

3- O que é didática?

O ser humano não vive isolado no tempo e no espaço. Faz parte de uma comunidade (família, trabalho, igreja, clubes etc.), de um Estado, de uma sociedade, de um mundo ativo e em constante transformação. Toda ação educativa é uma ação humana. Esta ocorre de forma sistemática (instituições escolares, por exemplo) e/ou assistemática (família, grupo de amigos etc.). Toda a ação didática é inspirada a partir do sujeito, ou seja, pelo homem, suas necessidades, dificuldades, necessidades de mudança, novas percepções que poderão ocasionar ou não novas ações em sua vida.

Como desenvolver ações que norteiem o caminho do processo educativo que possam nos auxiliar no alcance de nossos objetivos? A Didática é uma disciplina técnica que tem como objeto a técnica de ensino, procurando estudar e avaliar os aspectos práticos e operacionais da técnica escolhida. Nas palavras de SCHMITZ, didática é “a ciência que estuda a organização da situação de aprendizagem e educação para o aluno, a partir deste mesmo aluno e para o alcance de seus objetivos”. (1984, p.3)

É necessário considerar aqui a diferença entre o pedagógico e o didático. “O didático refere-se especificamente à teoria e prática do ensino e aprendizagem, considerando-se o ensino como um tipo de prática educativa, vale dizer, uma modalidade de trabalho pedagógico. Dessa forma, o trabalho docente é pedagógico porque é uma atividade intencional, implicando uma direção (embora nem todo trabalho pedagógico seja trabalho docente). (LIBÂNEO, 1999, p.27)

A ação didática além de ser uma simples organização sistemática do contexto educativo representa uma atitude, uma posição diante do que se considere conveniente e significativo para o aluno.

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Rosane Torquato

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