Do Grego: ek + egnomai, = ek + egéomai, penso, interpreto, arranco para fora do texto. É a prática da hermenêutica sagrada que busca da real interpretação dos textos que formam o Antigo e o Novo Testamento. Vale-se, pois, do conhecimento das línguas originais (hebraico, aramaico e grego), da confrontação dos diversos textos bíblicos e das técnicas aplicadas na linguística e na filosofia.

A exegese tem por objetivo guiar para fora os pensamentos que o escritor tinha quando escreveu um dado documento, isto é, literalmente significa “tirar de dentro para fora”, interpretar. (comentário para esclarecimento ou interpretação minuciosa de um texto ou de uma palavra. Aplica-se especificamente em relação à gramática, à Bíblia, às Leis.)

Eisegese: Antônimo da exegese. Nesta, a Bíblia interpreta-se a si mesma. Naquela, o leitor procura imprimir ao texto sagrado a sua própria interpretação.

A exegese é a mãe da ortodoxia doutrinária. Já a eisegese é a matriz de todas as heresias. Ela gera o misticismo, e este acaba por dar à luz aos erros e aleijões doutrinários. Levemos em conta, também, que a eisegese é própria da especulação que, por sua vez, é a principal característica da filosofia. Ora, se o nosso compromisso é com a Teologia, subentende-se que a matéria-prima de nossa lide é a revelação. Logo, a exegese é a nossa ferramenta. A Palavra de Deus não precisa de nossa interpretação, porquanto interpreta-se a si mesma. Ela reivindica tão-somente a nossa obediência.

A exegese é o estudo rigoroso de um texto, a partir de regras e conceitos metodológicos, pelos quais se busca alcançar o melhor sentido daquilo que está escrito. Quando aplicado ao estudo da Bíblia especificamente, denominamos de “Exegese Bíblica”.

A Bíblia é um livro difícil. Difícil porque é antigo, foi escrito por orientais, que têm uma mentalidade bem diferente da greco-romana, da qual nós descendemos. Diversos foram os seus escritores, que viveram entre os anos 1200 a.C. a 100 d.C. Isso, sem contar que foi escrita em línguas hoje inexistentes ou totalmente modificadas, como o hebraico, grego e o aramaico, fato este que dificulta enormemente uma tradução, pois muitas vezes não se encontram palavras adequadas.

Outra razão para se considerar a Bíblia um livro difícil é que ela foi escrita por muitas pessoas, às vezes até desconhecidas e em situações concretas as mais diversas. Por isso, para bem entendê-la é necessário colocar-se dentro das situações vividas pelo escritor, o que é de todo impraticável. Quando muito, consegue-se uma aproximação metodológica deste entendimento.

Além do mais, a Bíblia é um livro inspirado e é muito importante saber entender esta inspiração, para haurir com proveito a mensagem subjacente em suas palavras. Dizer que a Bíblia é inspirada não quer dizer que o escritor sagrado (ou hagiógrafo) foi um mero instrumento nas mãos de Deus, recebendo mensagens ao modo psicográfico. É necessário entender o significado mais próprio da ‘inspiração’ bíblica.

Vale salientar que uma série de enganos podem advir de uma interpretação bíblica literal, porque uma interpretação de forma literal” não revela o sentido mais adequado de todas as palavras.

Para que não aconteça conosco incidir neste equívoco, devemos aprender a nos colocar na situação histórica de cada escritor em cada livro, conhecer a situação social concreta da sociedade em que ele viveu, procurar entender o que aquilo significou no seu tempo e só então tentar aplicar a sua mensagem às nossas circunstâncias atuais.

1.2 TIPOS DE EXEGESE

a) Exegese Estrutural

Do latim strutura (disposição interna de uma construção). Doutrina que sustenta estar o significado do texto bíblico além do processo de composição e das intenções do autor. Neste método é levado em conta as estruturas e padrões do pensamento humano. Noutras palavras: o cérebro é guiado por determinadas estruturas e padrões, além dos quais não podemos avançar.

b) Exegese Gramático-Histórica

Princípio de interpretação bíblica que leva em conta apenas a sintaxe e o contexto histórico no qual foi composta a Palavra de Deus. Tal método acaba por tirar da Bíblia o seu significado espiritual. Não se pode ignorar as verdades que se acham escondidas sob o símbolo e enigmas das porções escatológicas e apocalípticas do Livro Santo. Na interpretação da Bíblia, não podemos esquecer nenhum detalhe. Todos são importantes.

c) Exegese Teológica

Princípio de interpretação bíblica que toma por parâmetro as doutrinas sistematizadas pelos doutores da Igreja. Neste caso, a Bíblia é submetida à doutrina. Mas como esta nem sempre se encontra isenta de interpretações parcimoniais e tradições meramente humanas, corre-se o risco de se valorizar mais a forma que o conteúdo. O correto é submeter a dogmática ao crivo da infalibilidade da Palavra de Deus.

  1. HERMENÊUTICA E EXEGESE

Hermenêutica é a disciplina que aplica métodos e técnicas que ajudam na compreensão do texto.

Do ponto de vista etimológico hermenêutica e exegese são sinônimos, mas hoje os especialistas costumam fazer a seguinte diferença: Hermenêutica é a ciência das normas que permitem descobrir e explicar o verdadeiro sentido do texto, enquanto a exegese é a arte de aplicar essas normas.

Na linguagem teórica, a exegese aponta para a interpretação de alguma passagem literária específica, ao mesmo tempo em que os princípios gerais aplicados a tais interpretações são chamados hermenêutica.

Rogério Adriano

No Curso de Bacharelado em Teologia EAD do SETEFI você estuda a exegese biblíca , está matéria faz parte da Grade Curricular .

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