Certo dia em que ensinava a seus seguidores, Jesus contou a razão de sua vinda a terra: dar-nos vida em abundância e em toda a sua plenitude. Antes disso, no versículo que é hoje certamente o mais conhecido das Escrituras, Jesus falara sobre o propósito de Deus ao enviar o Filho – “Para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Jesus tinha, portanto, dois alvos para os indivíduos: vida abundante na terra e vida eterna no céu.

O conselheiro que é um seguidor de Jesus Cristo tem o mesmo alvo ulterior e abrangente de mostrar às pessoas como ter uma vida abundante e apontar aos indivíduos a vida eterna prometida aos crentes.

Note as palavras “ulterior” e “abrangente” na sentença anterior. Se levarmos a sério a grande comissão, desejaremos ansiosamente ver todos os nossos aconselhados se tornarem discípulos de Jesus Cristo. Se levarmos a sério as palavras de Jesus, provavelmente chegaremos à conclusão de que uma vida plena e abundante só é concedida àqueles que buscam viver de conformidade com os seus ensinos.

Vamos reconhecer, porém, que existem muitos cristãos sinceros que terão uma vida eterna nos céus, mas não gozam de uma vida muito abundante na terra. Essas pessoas precisam de aconselhamento que envolva mais do que evangelização ou educação cristã tradicional. Tal aconselhamento poderia, por exemplo, ajudar os aconselhados a reconhecer as atitudes prejudiciais inconscientes, ensinar habilidade interpessoais e novos comportamentos, ou mostrar como mobilizar os recursos íntimos a fim de enfrentar uma crise.

Tal aconselhamento pode às vezes, quando orientado pelo Espírito Santo, libertar o aconselhado de situações que o impedem de desenvolver-se até a maturidade cristã. No caso do incrédulo, tal aconselhamento pode servir como uma espécie de “pré-evangelização” para usar o termo de Schaeffer, que remove alguns dos obstáculos mais insidiosos à conversão. A evangelização e o discipulado são, portanto, os objetivos “ulteriores e abrangentes” do conselheiro, embora não sejam os únicos.

Quais são alguns dos demais alvos? Qualquer lista pode incluir pelo menos os seguintes:

  1. Autocompreensão. Compreender a si mesmo é, no geral, o primeiro passo para a cura. Muitos problemas são autoimpostos, mas a pessoa que está sendo ajudada talvez não reconheça que suas percepções são preconceituosas, suas atitudes prejudiciais e seu comportamento autodestrutivo. Considere, por exemplo, o indivíduo que se queixa: “Ninguém gosta de mim”, mas não percebe que sua reclamação é uma das razões de ser rejeitado por outros. Um dos alvos do aconselhamento é que um ajudador objetivo e alerta, auxilie os que estão sendo assistidos a obter um quadro real do que está passando em seu íntimo e no mundo que os rodeia.
  1. Comunicação. É bem conhecido que muitos problemas no casamento estão relacionados com uma falta de comunicação entre os cônjuges. Ele se aplica a outros problemas. As pessoas são incapazes ou não estão dispostas a comunicar-se. O aconselhado precisa aprender a comunicar sentimentos, pensamentos e atitudes, correta e eficazmente. Tal comunicação envolve a expressão da pessoa e a capacidade de receber mensagens corretas por parte de outros.
  1. Aprendizado e Modificação de Comportamento. Quase todo, senão todo o nosso comportamento é aprendido. O aconselhamento, portanto, inclui ajuda no sentido de fazer com que o aconselhado desaprenda o comportamento negativo e aprenda meios mais eficientes de agir. Tal aprendizado vem através da instrução, da imitação de um conselheiro ou outro modelo, e da experiência e erro. O ajudador deve encorajar a pessoa que está auxiliando a “avançar”, praticando o que aprendeu. Algumas vezes será também necessário analisar o que houve de errado quando ocorrer um fracasso e recomendar uma nova tentativa por parte do aconselhado.
  1. Autorrealização. Escritores humanistas recentes têm enfatizado a importância do indivíduo aprender a alcançar e manter o seu potencial máximo. Isto é chamado de “autorrealização”, sendo proposto por alguns conselheiros como o alvo de todos os seres humanos quer se achem ou não no ramo do aconselhamento. Para o cristão, um termo como “Cristo-realização” poderia ser substituído, indicando que o alvo na vida se completa em Cristo, desenvolvendo nosso mais elevado potencial mediante o poder do Espírito Santo que nos leva à maturidade espiritual.
  1. Apoio. As pessoas com frequência conseguem alcançar cada um dos alvos acima e funcionar eficazmente, salvo em períodos temporários de tensão ou crise incomuns. Tais pessoas podem beneficiar-se de um período de apoio, encorajamento e “divisão de fardo”, até que sejam capazes de remobilizar seus recursos pessoais e espirituais, a fim de enfrentar eficientemente os problemas da vida.

Em qualquer tipo de aconselhamento é, no geral, útil quando o conselheiro e o aconselhado estabelecem alvos ou objetivos definidos para o aconselhamento. Esses alvos devem ser específicos e não vagos, realistas e (no caso de serem vários) organizados em alguma sequência lógica que identifique os pontos a serem atingidos em primeiro lugar e, talvez, por quanto tempo.

A matéria Psicologia Pastoral do Mestrado em Teologia EAD do SETEFI procura responder o que é a alma para o conselheiro pastoral? Para que o aconselhamento pastoral? A relação entre aconselhamento pastoral e psicologia, o encontro terapêutico, dentre outros tópicos.

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