Várias civilizações se levantaram no Oriente, séculos antes da origem dos hebreus, deixando elementos permanentes da sua cultura na vida dos povos subsequentes. Os hebreus tiveram a sua origem no meio de sociedades desenvolvidas, e herdaram elementos da cultura dos povos contemporâneos. Em todas as épocas da sua história o povo de Israel participou da cultura dos vizinhos e até dos conquistadores. Com a exceção do período de Davi a Salomão, os israelitas eram relativamente fracos entre as nações poderosas nos períodos sucessivos da sua história.

A Origem Histórica da Fé de Israel

Assim Israel nasceu no ambiente histórico de três mil anos da civilização. Os templos de Tepe Gawra e Egidu, descobertos na Mesopotâmia, pertencem ao período Obeide, cerca de 4000 a.C. As nações antigas haviam desenvolvido as suas culturas, com a produção de uma vasta literatura. Tinham progredido além do animismo, e outras formas primitivas da religião, ufanando-se dos sistemas elaborados de seu culto politeísta. Foi neste ambiente de politeísmo, e não de animismo, que a religião de Israel teve a sua origem. Sob a orientação de Moisés, como profeta de Yahweh ou Javé, a fé de Israel representa um rompimento definitivo com o politeísmo, e não um desenvolvimento que resultou finalmente no monoteísmo dos profetas.

Esta fé, distintivamente bíblica, nas promessas do amor eterno do Senhor do concerto, não resultou de opiniões que os profetas formularam. Ao contrário, os israelitas creram em Deus, como resultado das experiências que os ligaram com o Senhor. Esta origem singular da fé de Israel distingue a religião do Antigo Testamento de todas as outras, e apresenta os fatos fundamentais da sua teologia.

Para os escritores bíblicos a religião pertencia à vida inteira, e relacionava-se com todas as suas experiências. Deus não ficava isolado do homem e dos seus problemas. Era participante com o homem no drama da vida. Os autores do Velho Testamento reconheceram a mão de Deus em toda a sua história, e tentaram descobrir e entender o propósito divino nas atividades do Senhor. A libertação dos israelitas do poder do Egito, o êxodo, e a formação da vida nacional ficaram firmemente estabelecidos nas suas tradições. Guardavam a Páscoa como memorial de sua libertação. As suas doutrinas teológicas nasceram das suas comunicações com o Senhor, e nestas experiências religiosas era Deus que tomava a iniciativa.

Atrás da história de Moisés, como guia do seu povo, havia a orientação e o poder do Senhor. A escolha de Israel para se o povo santo e sacerdotal do Senhor lhe foi anunciada por Moisés, o mensageiro de Deus e o profeta do seu povo. O povo creu na verdade da mensagem, aceitou a incumbência divina, e as experiências subsequentes com o seu Senhor justificaram a sua fé. A escolha de Israel não foi devida ao seu mérito, mas unicamente à graça divina, ao amor imerecido de Javé.

O Conceito Bíblico da História

Há vários métodos de interpretar a história da civilização. Os sistemas filosóficos e as interpretações da história variam de uma civilização para outra, e de um período para outro, de acordo com a mudança dos ideais e característicos de culturas sucessivas. É por isso que poucos filósofos e historiadores em geral têm as qualificações para pronunciar a última palavra sobre a verdade ou a falsidade das experiências religiosas de Israel e o valor histórico do Velho Testamento.

Interpretando a história segundo o desígnio distinto e coerente que o seu Senhor lhes revelava, os israelitas apresentam os fatos e os eventos que lhes evidenciam a finalidade divina da sua história. Assim se explica por que o Velho Testamento é história teológica e ao mesmo tempo teleológica.

Mas do ponto de vista puramente histórico, a religião hebraico-cristã se distingue de todas as outras pelo princípio interno da sua existência. Desde Moisés até o dia de hoje, o fator da religião bíblica, através de todas as modificações de formas exteriores, tem sido a sua fé persistente na justiça e na misericórdia de Deus.

No estudo da religião de Israel, e dos princípios internos do seu desenvolvimento, nota-se que os mensageiros de Deus sempre se firmaram nas circunstâncias peculiares do seu livramento da escravidão do Egito pelo poder do Senhor. A convicção da sua escolha para ser o povo separado para o serviço do seu Deus era bastante forte para suportar a disciplina rigorosa das adversidades da sua longa história e aprender, até nas aflições, cada vez mais da justiça, bem como do amor imutável do Senhor. Os profetas produziram as Escrituras Sagradas nos períodos críticos da vida nacional, e a sua fé brilhava mais quando tinham que enfrentar aflições e sofrimentos.

A Arqueologia e o Antigo Testamento

As escavações em numerosas ruínas da Palestina e de outras terras em redor ajudam no esclarecimento da cronologia dos eventos da história dos povos contemporâneos dos judeus. Sabemos mais agora dos povos mencionados no Velho Testamento, como os horeus, das suas relações com os patriarcas, e das suas influências na vida nacional de Israel. Sabemos mais das condições históricas quando este povo se levantou e tomou o seu lugar na história. Ficou esclarecido como conseguiu tornar-se independente do Egito e se estabeleceu na Palestina como pequena teocracia, sob o governo do Senhor, que lhes dera a sua liberdade.

Não há nenhum período da história de Israel, desde Abraão até o período Inter bíblico, que não tenha ficado mais bem conhecido como resultado das informações acumuladas pelo grande número de descobertas arqueológicas nas ruínas da Palestina. Sem discutir a contribuição dos arqueólogos, como Albright e outros, no estudo dos períodos sucessivos da história de Israel, podemos dizer que a ciência confirma, esclarece ou suplementa a informação histórica, política e religiosa do Velho Testamento em quase todas as suas partes.

Além desta contribuição que acentua e reforça a importância histórica do Velho Testamento, a arqueologia oferece também, às vezes indiretamente, informação relevante para o teólogo bíblico. Na revelação própria de Javé, e na sua obra de libertação do povo de Israel, uma nova fé foi introduzida no mundo, uma fé que desde o princípio tinha que lutar para manter o seu conceito distintivo do seu Deus no meio das religiões politeístas de seus vizinhos.

A Mudança de Ênfase no Estudo do Antigo Testamento

Nenhum livro do mundo tem sido estudado com tanto carinho, em tantas línguas e por tanto tempo como a Bíblia. Nenhum outro livro tem provocado a produção de tantas obras literárias. Vai se mudando o centro de interesse na Bíblia de acordo com as controvérsias teológicas de época em época.

Surgiram no décimo oitavo século novos métodos de se estudar a Bíblia. Com a aplicação das teorias do racionalismo, levantaram-se dúvidas sobre as premissas fundamentais das doutrinas teológicas da religião cristã. Estes novos dogmas de racionalismo ameaçaram minar os fundamentos venerados dos teólogos ortodoxos da época. Os novos intérpretes deram ênfase à produção humana das Escrituras. Levantaram dúvidas sobre as datas e os autores tradicionais de vários livros do Velho Testamento. Os livros do Pentateuco, segundo a nova crítica, por exemplo, foram escritos muito tempo depois da época de Moisés, e representaram apenas tradições históricas. Com esta nova ênfase no processo humano que produziu as Escrituras da Bíblia, ficou quase perdida a convicção de que houvesse qualquer revelação de Deus no Velho Testamento. Para alguns a Bíblia era apenas um documento puramente humano.

Mas nem todos os seguidores da nova escola crítica eram inimigos da fé, como afirmaram alguns de seus oponentes. Havia alguns que não tinham a mínima objeção em sujeitar a Bíblia à crítica mais severa possível, enquanto isso se fizesse com o desejo de descobrir e seguir a verdade. Mas infelizmente o novo método tornou-se para alguns apenas uma investigação friamente científica, sem o devido reconhecimento dos seus característicos peculiares e sem observarem devidamente a natureza da origem das suas verdades imperecíveis.

Com o desenvolvimento da ciência no décimo nono século, e a promulgação da teoria Darwiniana da evolução, a Bíblia perdeu ainda mais da sua influência e prestígio. Ficou desacreditada, especialmente como livro científico, e muitos rejeitaram, nesta base, a sua origem e a sua autoridade divina. Mas os estudantes cuidadosos descobriram sua resposta, de fato evidente, nas páginas da própria Bíblia, e é que ela não foi escrita como obra científica, mas como uma revelação divina, que se apresenta pelas comunicações de homens com Deus, de acordo com a cultura da época e a capacidade dos escritores de entendê-la. O novo conhecimento do fundo cultural da Bíblia, acumulado nos últimos anos, põe em relevo os característicos distintivos da religião e das Escrituras do Antigo Testamento.

Dentre as disciplinas da grade curricular do Bacharel em Teologia EAD pelo MEC do SETEFI, há uma que estuda sobre as noções de geografia do antigo oriente, a terra da conquista, os reinados de Saul, Davi e Salomão e o período do reino dividido.

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